A aprovação do teto de gastos públicos, o atingimento da meta de inflação, o avanço nas privatizações, as concessões em infraestrutura, a redução do crédito diferenciado, o fim da regra de conteúdo nacional para contratações e a mudança do marco legal do Pré-Sal deverão ser as medidas que se transformarão nos motores da retomada do crescimento da economia brasileira em 2017.

As apostas são de Octávio de Barros, vice-presidente da Câmara de Comercio França-Brasil de São Paulo (CCFB-SP) e coordenador do comitê Observatório Econômico, em palestra realizada no dia 16 de agosto de 2016, com cobertura exclusiva da Retoque Comunicação. Denominada “Pensamentos Olímpicos sobre a Economia Brasileira”, a apresentação revelou o “salto triplo” que a sociedade terá de realizar para reencontrar o desenvolvimento sustentável: consenso político, equilíbrio fiscal e crescimento econômico.

Por meio de uma série de comparações entre as modalidades esportivas e as tarefas necessárias à economia, Barros aposta que o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá passar de uma queda de 3% neste ano, para um aumento de 1,5%, em 2017, e de 3% em 2018. A taxa de investimentos deverá também passar de um desempenho negativo para um comportamento positivo nos próximos dois anos, ainda que tímido.

Barros se mostra muito otimista quanto à aprovacão do teto de gastos públicos. Para ele, a medida será uma revolução na mentalidade política do Brasil. Afinal, o País passará a discutir de maneira efetiva a eficiência alocativa dos recursos. Já a reforma da Previdência, na visão do economista, é uma “maratona”. Vai exigir grande resistência para enfrentar os déficits explosivos do sistema.

Quanto aos postos de trabalho, Barros disse que a alta taxa de desemprego deve persistir nos próximos anos, ainda que já em 2017 o Brasil deva abrir 700 mil vagas. Porém, a taxa de abertura deveria ser de 1,3 milhão para se atingir o equilíbrio dos exercícios anteriores.

O Brasil ainda vai enfrentar uma realidade de déficits primários nas contas do setor público até 2019 e a relação dívida/PIB ainda vai piorar até 2020. O atual ânimo com a economia brasileira não se deve a esses números, segundo Barros, mas à confiança depositada no “Dream Team” selecionado para comandar a economia brasileira, bem como à alta taxa de liquidez da economia mundial.

Para o economista, se o Brasil aprovar algumas reformas, em pelo menos seis meses o País vai colher melhorias nos ratings das agências de investimento que recentemente rebaixaram o Brasil para “Non-Investment-Grade”. Barros lembra que nesses últimos meses a taxa de risco da economia brasileira já caiu pela metade e está agora em 250 pontos.