Desenvolver estratégias claras e promover a execução consciente são essenciais para uma empresa lidar com a crise e virar o jogo em tempos turbulentos. A afirmação foi feita pelo consultor João Roncati, CEO da People Strategy Consulting, durante a Comissão Mundo do Trabalho, da Câmara de Comércio França-Brasil (CCFB-SP).

A apresentação de Roncati destacou os pontos centrais na discussão sobre como motivar e engajar pessoas em períodos de crise. Segundo ele, a crise deve ser encara como uma oportunidade de mudança, de melhoria e aperfeiçoamento. “Não é a empresa mais forte nem a mais inteligente que sobrevive em tempos de mudança, mas sim aquela que consegue se adaptar às oscilações de mercado”, disse. “Como dizem os grandes filósofos, a mudança é, na verdade, a única coisa permanente na vida”, acrescentou.

O consultor afirmou que a crise não deve ser vista como algo negativo, como uma quebra de algo. Para ele, as empresas e as pessoas devem entender como uma alteração de estado. “Essa deve ser a mentalidade no mundo corporativo”, ressaltou. “Uma crise é, na verdade, uma chance para as empresas aprenderem, pois, quem aprende, reposiciona e conquista perenidade”, completou.

Roncati também apontou a importância do clima organizacional no negócios de uma companhia, sobretudo no Brasil, onde a força de trabalho é composta, em sua maioria, por jovens entre 20 e 35 anos, a chamada geração Y. “Trata-se de uma geração carente de propósito e com baixo nível de comprometimento com um trabalho de longo prazo”, disse. “Portanto, um dos grandes desafios das empresas é estabelecer vínculo com seus colaboradores a partir de um propósito empresarial”, explicou.

Segundo pesquisa realizada pela Harvard Business Review, cerca de 70% da variação do clima organizacional pode ser explicado pelas diferenças no estilo de liderança. A publicação constatou também que quase 30% de variação nos resultados financeiros estão relacionados às diferenças no clima organizacional.

“É preciso entender que não são os jovens que rompem com as empresas, e sim as próprias companhias que tornam o ambiente indesejável, à medida em que não oferecerem esse vínculo, esse propósito”, disse Roncati.