A recente venda de dois casacos da Dolce & Gabana para uma milionária do Oriente Médio no valor de 169 mil euros cada peça causou um certo frisson no mercado de luxo no mundo e é considerado por muitos especialistas um sinal dos tempos para esse segmento que também tem sofrido os impactos da crise econômica mundial.

Na visão do professor Claudio Diniz, especialista em mercado do luxo, a crise global tem obrigado as grandes marcas a reorientar seus modelos de negócios e, sobretudo, entender o novo momento e o novo consumidor do luxo. “Depois de se consolidar como uma marca de vanguarda, a Dolce & Gabana mudou o conceito para um estilo mais tradicionalista e familiar e aposta agora em novos mercados, como é o caso do Oriente Médio”, explica.

O impacto da crise no mercado do luxo no Brasil e no mundo foi tema do primeiro Comissão Mercado do Luxo, da Câmara de Comércio França-Brasil (CCFB-SP), sob a coordenação do professor Diniz, na capital paulista.

Para Diniz, o consumidor do luxo procura, acima de tudo, vivenciar experiências. “Esse consumidor busca presentes para a própria alma – e não mais ostentação de marcas e status”, afirmou. “Não é à toa que a Louis Vuitton tem suprimido a logomarca em muitos de seus produtos, pois a empresa entendeu essa mudança”, acrescentou.

Na visão do especialista, as empresas do luxo têm, portanto, de estar atentas ao novo perfil do consumidor, hoje oriundo de famílias não tradicionais que obtiveram sucesso por meio do espírito empreendedor ou por talentos artísticos. “No Brasil, é muito comum ver pessoas que não nasceram em berço de ouro e construíram seu próprio império – e as marcas devem se preparar para atender esse consumidor em potencial”, apontou.

O Brasil, segundo Diniz, produz cerca de 30 milionários por dia e as empresas precisam descobrir quem são essas pessoas e quais são seus desejos e aspirações. “Esses consumidores, em particular, não buscam só a tradição e a atemporalidade, mas querem, sobretudo, experiências”, disse.

“O próprio setor hoteleiro já percebeu essa mudança no perfil de consumo. Hoje, as pessoas preferem fazer uma viagem mais espiritual e introspectiva para a Índia e a África, e não mais para destinos famosos como Paris, Las Vegas, Caribe e Londres, por exemplo”, destacou.