Formado em Engenharia de Alimentos, Facundo Guerra começou uma carreira meteórica de executivo no setor corporativo. Passou um ano na Suécia pela Tetrapark e, depois, um ano em Miami pela America Express. Foi, então, chamado para montar a América Online (AOL) no Brasil, onde passou cinco anos e atingiu cargo de liderança. Mas foi somente após a quebra do provedor norte-americano no País, que Guerra descobriu a sua verdadeira competência: o empreendedorismo.

Como o dinheiro da rescisão, Guerra decidiu montar a boate Vegas, na rua Augusta, em São Paulo. O sucesso da casa foi o estopim para o renascimento da região, antes considerada degradada. Foi o início também do Grupo Vegas, com faturamento de R$ 50 milhões, que hoje reúne 12 empreendimentos de sucesso, tais como o Z Carneceria, o Bar Riviera e o Cine Jóia.

Guerra foi o convidado do Comitê de Empreendedorismo da CCI França Brasil em reunião realizada no dia 9 de fevereiro, na qual fizemos a cobertura com exclusividade. Formado também em Jornalismo e doutor em Política pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), o fundador do Grupo Vegas gosta de desmistificar o tema. Para ele, o exagerado incentivo ao assunto se assemelha a movimentos pentecostais, onde a exagerada fé em conduzir um negócio próprio não pode esconder que o Brasil é considerado um dos piores países do mundo para empreender e apresenta uma das maiores taxas de mortalidade precoce de empresas do planeta.

Avesso a Business Plans e fórmulas padronizadas, Guerra acabou revelando a sua fórmula particular para a decisão em negócios de sucesso, formado por 3 Ps: Problema, Propósito e Política. Qualquer negócio, segundo ele, deve resolver um claro defeito ou vácuo no mercado, colaborar para diminuir um transtorno social e, por fim, contribuir com alguma ação ou movimento da sociedade civil.

A boate Z Carneceria, no Largo da Batata em São Paulo, é um exemplo da aplicação da fórmula dos 3 Ps. O local nasceu para resolver um problema na cena noturna paulistana: a falta de uma casa de shows para 300 pessoas com um ambiente de saloon e boa comida. O propósito foi revitalizar a região, ocupando o mesmo espaço do célebre Aeroanta, que abrigou os principais nomes da cena de rock dos anos 1980. Por fim, a política adotada foi profissionalizar a relação com os músicos e bandas que tocam no local. Os artistas passaram a receber cachês fixos em detrimento da usual parcela da receita dos visitantes da casa. Com um faturamento na casa dos R$ 400 mil mensais, o sucesso da casa (e da fórmula) é inegável.

Associado recentemente com o antigo rei da noite paulistana, o empresário José Victor Oliva, Guerra acredita que um empreendedor deve estar consciente das atuais mudanças na sociedade e na economia para poder atuar com eficácia. Conforme sua análise, hoje vive-se em um ambiente que não diferencia mais o analógico do digital e o consumo se tornou um ato politico. Com isso, empreender é um exercício de expressão, onde a matéria-prima “tempo” vale muito mais do que “dinheiro”.

O fundador do Grupo Vegas lembra que empreender é uma vocação, tal qual dotes artísticos ou esportivos. Para ele, abrir um negócio se assemelha a dar um salto arriscado no escuro e quem se decidir por esse caminho deve ter as características para suportar essa enorme incerteza, pressão e ansiedade.